Eu sinto falta


Eu sinto falta de me sentir mais mulher. Sair para beber com minhas amigas, frequentar o meu barzinho preferido, beber todas sem ter preocupações, não ter hora para voltar, emendar o barzinho com a ida para outro barzinho e ter aquela sensação de que a noite não tem fim. Aquele leve sentimento de que o céu é o limite. 

Eu sinto falta de vestir minha melhor roupa, passar meu perfume preferido, uma maquiagem básica e ter um carro me esperando na porta do meu prédio. Sinto falta da conquista, da troca de olhares, do beijo na boca enquanto puxa o meu cabelo, de ter a porta do carro sendo aberta, de ser enaltecida, elogiada, paparicada e amada. 

Eu sinto falta dos encontros, dos brindes no barzinho, da tensão sexual no lugar errado, do sexo na bancada da cozinha, na cama, no banheiro, no chuveiro, no carro, sem horário e sem lugar marcado. Sinto falta do que acontece naturalmente, sem parecer mais um agendamento de ida ao médico. 

Eu sinto falta da minha roupa começar a ser tirada na entrada do apartamento e de não precisar me preocupar com o lugar que vai acontecer. Sinto falta do beijo no pescoço, da pegada forte, de ser jogada na parede, de ser pega por trás, de fazer sexo na sacada sem medo e sem preocupações.

Eu sinto falta da leoa que habita dentro de mim sendo colocada para fora. 

Eu sinto falta dos sorrisos, dos carinhos, da mão boba, da chupada que faz revirar os olhos, da mordida no lábio, do beijo durante o sexo. Sinto falta de dormir de conchinha, de dormir deitada no peito, de me sentir única e, principalmente, de ouvir que sou a única. 

Eu sinto tanta falta. 

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